terça-feira, 30 de outubro de 2012

A POETISA DE APUIARÉS-RAIo Arthur

  • segunda
  • Rai Furtado Arthur

    esse ano eles vierao passear aqui em sao paulp
    • Rai Furtado Arthur

      o ano passado veio o didi
      • Rai Furtado Arthur

        vc conseguio ver o recado
        • Antonio Celio De Castro Alves

          VC NÃO ACREDITA-NÃO.VC MANDOU PRÁ MENSAGENS?
          • Rai Furtado Arthur

            poxa vou tentar mandar dinovo
            eu escrevi no seu mural
            • Antonio Celio De Castro Alves

              OLHE-MANDE PARA O FACE-NAS MINHAS MENSAGENS.TENHO QUE ABRIR O SEU MURAL.NÃO FIZ ISSO.MAS MANDE PARA O FACE.
              • Antonio Celio De Castro Alves

                OK-DAQUI A POUCO-OLHO-TÁ OUVINDO A RADIO-VILAFM.TK?
                • Antonio Celio De Castro Alves

                  LGAL-VOU MANDAR UMA PRÁ VC.
                  • Rai Furtado Arthur

                    A vida do sertanejo
                    Ocê pode nun sabê, Meu amigo, nun é face Fais a gente internecê. É triste inté de falá,Mais eu vou lhe preguntá, SERÁ QUE O CORRUPTO VÊ?* Eu já morei no sertão Caro leitô, podi crê, Lá vi mutcha criancinha morrer antes de nascê.Ôtos morrerão dispois, Por fartá de pão e arroz, SERÁ QUE O CORRUPTO VÊ?* Enquanto a cigarra canta Num sol quente de frevê, O trabaidô na roça Fica esperano chuvê. Se chove, ele pranta e come, Senão ele passa fome, SERÁ QUE O CORRUPTO VÊ?*Quem mora lá no sertão E luita mode vivê, Mata preá, passarin E assa mode cumê.Óia o que a fome faz,Martrata a gente dimais,SERÁ QUE O CORRUPTO VÊ?*Cedo eles vão para a roça Percurar o que fazer, Prantam uns pezim de mio E tumém de muçambê.Para curar dô de dente,Colocam um azeite quente, SERÁ QUE O CORRUPTO VÊ?*Uma criancinha chora Pois lhe farta o qui cumê,Sua mãe está buchuda Ôto logo vai nacê. O seu pai fica num canto,Ali dirrama o seu prantu, SERÁ QUE O CORRUPTO VÊ?(...)
                    • Antonio Celio De Castro Alves

                      OK -AGORA TEM TUDO.QUANDO POSSIVEL MANDE MAIS.É BOM.
                      • Hoje
                      • Rai Furtado Arthur

                        Exaltação ao Nordeste
                        Eita,Nordeste da peste,
                        Mesmo com toda sêca
                        Abandono e solidão,
                        Talvez pouca gente perceba
                        Que teu mapa aproximado
                        Tem forma de coração.
                        E se dizem que temos pobreza
                        E atribuem à natureza,
                        Contra isso,eu digo não.
                        Na verdade temos fartura
                        Do petróleo ao algodão.
                        Isso prova que temos riqueza
                        Embaixo e em cima do chão.
                        Procure por aí a fora
                        "Cabra" que acorda antes da aurora
                        E da enxada lança mão.
                        Procure mulher com dez filhos
                        Que quando a palma não alimenta
                        Bebem leite de jumenta
                        E nenhum dá pra ladrão
                        Procure por aí a fora
                        Quem melhor que a gente canta,
                        Quem melhor que a gente dança
                        Xote,xaxado e baião.
                        Procure no mundo uma cidade
                        Com a beleza e a claridade
                        Do luar do meu sertão.
                        • Rai Furtado Arthur

                          PAISAGEM DE INTERIOR...Matuto no meio da pista
                          menino chorando nu
                          rolo de fumo e beiju
                          colchão de palha listrado
                          um par de bêbo agarrado
                          preto véo rezador
                          jumento, jipe e trator
                          lençol voando estendido
                          isso é cagado e cuspido
                          paisagem de interior
                          três moleque fedorento
                          morcegando um caminhão
                          chapéu de couro, gibão
                          bodega com sortimento
                          poeira no pé do vento
                          tabuleiro de cocada
                          banguela dando risada
                          das prosa dum cantador
                          buchuda sentindo dor
                          com o filho quase parido
                          isso é cagado e cuspido
                          paisagem de interior
                          Bêbo lascano a canela
                          escorregando na fruta
                          num batente, uma matuta
                          areando uma panela
                          cachorro numa cadela
                          se livrando das pedrada
                          ciscador, corda e enxada
                          na mão do agricultor
                          no jardim, um beija-flor
                          num pé de planta florido
                          isso é cagado e cuspido
                          paisagem de interior
                          Mastruz e erva cidreira
                          debaixo de jatobá
                          menino quereno olhar
                          as calça da lavadeira
                          um chiado de porteira
                          um fole de oito baixo
                          pitomba boa no cacho
                          um canário cantador
                          caminhão de eleitor
                          com os voto tudo vendido
                          isso é cagado e cuspido
                          paisagem de interior
                          Um motorista cangueiro
                          e um jipe chêi de batata
                          um balai de alpercata
                          porca gorda no chiqueiro
                          um camelô trambiqueiro
                          aveloz, lagartixa
                          bode véio de barbicha
                          bisaco de caçador
                          um vaqueiro aboiador
                          um bodegueiro adormecido
                          isso é cagado e cuspido
                          paisagem de interior
                          Meninas na cirandinha
                          um pula corda e um toca
                          varredeira na fofoca
                          uma saca de farinha
                          cacarejo da galinha
                          novena no mês de maio
                          vira-lata e papagaio
                          carroça de amolador
                          fachada de toda cor
                          um bruguelim desnutrido
                          isso é cagado e cuspido
                          paisagem de interior
                          Uma jumenta viçando
                          jumento correndo atrás
                          um candeeiro de gás
                          véi na cadeira bufando
                          rádio de pilha tocando
                          um choriço, um manguzá
                          um galho de trapiá
                          carregado de fulô
                          fogareiro, abanador
                          um matador destemido
                          isso é cagado e cuspido
                          paisagem de interior
                          Um soldador de panela
                          debaixo da gameleira
                          sovaqueira, balinheira
                          uma maleta amarela
                          rapariga na janela
                          casa de taipa e latada
                          nuvilha dando mijada
                          na calçada do doutor
                          toalha no aquarador
                          um terreiro bem varrido
                          isso é cagado e cuspido
                          paisagem de interior
                          Um forró pé de serra
                          fogueira, milho e balão
                          um tum-tum-tum de pilão
                          um cabritinho que berra
                          uma manteiga da terra
                          zoada no mei da feira
                          facada na gafieira
                          matuto respeitador
                          padre prefeito e doutor
                          os home mais entendido
                          isso é cagado e cuspido
                          paisagem de interior

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